Os Diversos Olhares para um Tarô

Por Ricardo Pereira

O que se pretende extrair das cartas do Tarô? O que se pode descobrir a partir de uma consulta aos seus 78 arcanos ou trunfos ou atus? O que ele pode fazer e comunicar às pessoas?

Responder a essas questões, talvez, não seja tão desafiador para o Tarólogo experiente, conhecedor de seu fazer taromântico, mas, antes de se chegar a um ponto comum como resposta para o assunto, controvérsias muitas poderão ser geradas devido a uma visível continuidade histórica da construção e amadurecimento dos conceitos sobre as finalidades do Tarô e de suas aplicabilidades.

Acredito, que tudo nesse âmbito, assim quanto na vida, é uma questão de olhar, de visão direcionada, de foco quanto à utilidade que se pretende ao Tarô. Conforme Maurice Merleau-Ponty, filósofo fenomenologista francês, do século XX passado, apud Novaes (1988) “ver é por princípio ver mais do que se vê, é aceder a um ser latente, o invisível é o relevo e a profundidade do visível.”

Partindo-se desse pressuposto, e, dependendo do olhar, pode-se afirmar que o Tarô, que é composto de 22 arcanos maiores e 56 arcanos menores, faz e é:

a) um baralho, um objeto lúdico que serve com o um simples jogo de cartas para nos divertir;

b) um livro de sabedoria, que traz em seu bojo simbólico aspectos comportamentais de adultos e crianças, as suas histórias de vida e as suas experiências, retratando, por assim dizer, o conhecimento universal construído pela humanidade;

c) é uma espécie de manifestação artística oriunda da sensibilidade cognitiva humana;

d) um instrumento “psicoterapêutico” imagético, que possibilita amplas e objetivas maneiras de conhecer, compreender, interpretar o mundo em geral e o seu “eu” em sua trajetória nesse plano da matéria, com fins de autoconhecimento e desenvolvimento;

e) um oráculo que, através de suas mensagens simbólicas decodificadas pelo Tarólogo/Taromante, permite, metaforicamente, o emergir de vivências passadas, trazer a clareza ao presente e conjecturar o futuro; e

f) um conselheiro que aponta caminhos, mostrando alternativas melhores, mais promissoras, facilitando, sobremaneira, uma tomada de decisão ou a encontrar uma saída.

Muitas outras características direcionadas ao Tarô, outros conceitos, olhares e finalidades, dentro de seus limites perceptíveis, poderão ou não lhes ser intrínsecos, devido a sua abrangência e amplitude, e, grande parte, pelo menos aparentemente, é coerente e factível, cabendo ao profissional da área, ao usuário lhe dar um foco desejado, um sentido racional de utilidade, de acordo com o olhar que lhe for direcionado, com o objetivo que se quer alcançar com ele em um dado momento.

Por outro lado, caso decida-se dar-lhe um foco mais oracular, atente-se à seguinte sugestão: não brinque com os arcanos do Tarô, nem ouse pôr-lhes à prova, pois, poderá surpreender-se! Os gregos antigos um dia propuseram aos menos avisados: “… pergunte ao oráculo somente questões, cujas respostas você está disposto ou preparado para ouvir …”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E ICONOGRÁFICAS

NOVAES, Adauto. O olhar. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

TAROT de Marselha

“O Louco”, Ancient Italian Tarot

BlogBlogs.Com.Br

2 comments

Comments are closed.