A Mentira

Por Ricardo Pereira

Mentir é uma afirmação contrária à verdade, sendo a mentira um ato efetivado na intenção de enganar ou de transmitir falsa impressão.

Nesse sentido, o ato de mentir constitui-se na expressão e manifestação contrária ao que alguém sabe, crê ou pensa. Pode-se acreditar na mentira, dizer mentira e praticar a mentira.

A mentira está relacionada ao engano em seus diferentes aspectos. É nociva ao ser humano porque induz àqueles que nela acreditam, ao erro.

Nos escritos bíblicos percebe-se que o ato de mentir é uma ofensa grave diante de Deus e faz parte da lista dos dez pecados capitais.

Em João capítulo 8, versículo 4 consta a seguinte afirmação: “O diabo é o pai da mentira”, para destacar que é em Satanás que reside a origem da mentira.

Se acreditarmos, no entanto, ser tal axioma bíblico verdadeiro, pode-se concluir que a mentira é um instrumento diabólico, o qual é utilizado pelo ser humano, segundo a Bíblia (1982), para sua própria perdição.

Mentir pode ser uma ação contra os padrões morais de muitas pessoas, sendo considerado a mentira, ou ato de mentir, um “pecado” em muitas religiões.

Na mitologia nórdica temos Loki, o “pai das mentiras”, o “caluniador dos deuses.” Ele é a astúcia, a malícia e a trapaça. No panteão nórdico é o deus que passa o tempo a cobiçar e a disputar o poder dos outros deuses.

No Tarô a mentira está perfeitamente representada pelo arcano maior “O Diabo”, sendo este seu atributo fortalecido quando ele vem acompanhado de um arcano menor “7 de Espadas”, denotando, esta dupla de arcanos, que a mentira, a manipulação de informações, a ma fé e a leviandade são os recursos utilizados para o alcance de objetivos, em sua maioria, vis por vários seres humanos nos mais diversos ambientes sociais.

A mentira traduz-se, muitas vezes, em uma espécie de conspiração da mente imaginativa, uma fantasia planejada, podendo ser significativamente perigosa quando substitui a realidade.

Ao mentir o ser humano, ilude, engana e despista.

Assim, quem dá ouvidos a um mentiroso acreditando e defendendo as suas mentiras passa a contribuir para que a ilusão do mentiroso e o lugar imaginário que ele deseja ocupar permaneçam vivos, permitindo que ele realize, por assim dizer, cada coisa almejada, cada desejo ou ambição, os quais, sem a mentira, dificilmente ele viesse a deter, conquistar.

Vale enfatizar que nos seres humanos não existe mentiras inconscientes, pois toda mentira é planejada no limbo da mente consciente.

Para existir a mentira basta que o mentiroso faça conhecer ao interlocutor uma “inverdade” ou uma informação não verdadeira.

Segundo Anolli (2004) este processo acontece sob algumas dinâmicas e necessidades, quais sejam:

a) fazer com que se acredite no falso (quer que o destinário acredite no que é falso); b) não fazer acreditar na verdade (não querer que ele acredite na verdade). Em terceiro lugar, a mentira exige uma atitude intencional do mentiroso particularmente complexa, pois nela intervêm ao mesmo tempo diferentes níveis intencionais. Finalmente, mentir é sempre uma interação social e um ato de comunicação dirigido a um destinatário que pode assumir ou a função de ‘vitima’ (quando crê no engodo do mentiroso) ou de ‘desmascarador’ (quando descobre a mentira).

Nesse sentido, pode-se perceber que não há mentira que não possa, em algum momento, ser descoberta e o seu autor desmascarado.

Tal possibilidade é muito bem representada no Tarô pelo arcano maior “A Sacerdotisa”. Sempre que algo vem à tona, seja verdade, ou seja mentira, temos numa tiragem a sua presença e quando este maior vem combinado ao arcano menor da corte “Rainha de Copas”, tem-se a ratificação de que algo escuso, encoberto carece de algum tipo de esclarecimento, devendo ser vivenciado e revelado.

Não é difícil em processos taromânticos, em que estão envolvidos e sendo analisados determinados conflitos de interesses ou jogos de poder, o surgimento do maior “O Diabo” e do menor, “7 de Espadas”, representando a “mentira”, e o “A Sacerdotisa” e o “Rainha de Copas” destacando uma “revelação”, a possibilidade, por exemplo, de um engano ou fraude ser descoberto e os seus autores desmascarados, dando vazão e fazendo prevalecer a verdade, oferecendo, nesse contexto, uma nova perspectiva e um novo rumo a dadas situações, pois verdade e mentira caminham juntas, lado a lado.

De qualquer modo, dizer a verdade e obter credibilidade deve ser, sempre, o intuito das pessoas sensatas que preferem e veem vantagens promissoras em construir as bases de suas vidas sustentadas pela confiança, sinceridade e lealdade.

Por outro lado, aquelas que pensam e agem em contrário correm imenso risco de verem as estruturas de suas criações ardilosas ruirem concomitantemente e sob o efeito de uma experiência regada de dor, como as que se configuram sob os auspícios de um arcano maior “A Torre” que, muitas vezes, pode surgir, para ardilosos embusteiros, objetivamente apoiado por arcanos menores aflitivos como o “8 de Copas” e o “3 de Espadas”, fazendo o mentiroso amargar evidente frustração por ter sido pego na mentira.

No âmbito de tal abordagem, caro leitor, não poderei me furtar de trazer à cena, para pertinente reflexão, os sábios ditados populares: “a mentira tem pernas curtas”; “quem avisa amigo é”; e “cada um com a sua dor”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANOLLI, Luigi. Mentir. São Paulo: Loyola, 2004.

BIBLIA. Português. Bíblia sagrada. Trad.: Centro Bíblico Católico. 34. ed rev. São Paulo: Ave Maria, 1982. Livro de João, Cap. 8, Vers. 4.

3 comments

  1. ESTRATÉGIA & AÇÃO says:

    Ótimo artigo sobre a mentira! De fato, já constatei mentiras no tarô tanto nos arcanos O Diabo quanto no 7 de Espadas. Também já visualizei uma mentira sendo descoberta atrávés do Três de Espadas, que, no caso, se configurou como uma traição, que não deixa de ser uma forma de mentir.

    Abraços, Aline.

  2. juliana says:

    ótimo mesmo! Gravo até hj na memória um mandala que tinha na casa central A Sacerdotisa e a Rnh de copas e na casa 7 O Diabo e o sete de espadas.A consulente estava enrolando o sócio e esse por sua vez tb não agia corretamente com ela. Fato é que 1 mes depois, todas as falcatruas vieram a tona… Fim de amizade, de confiança e de sociedade.

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