Depois do esforço vem a recompensa

Por Ricardo Pereira

A recompensa é algo como um prêmio. É o que se espera pelo mínimo de esforço empreendido por uma atitude positiva, por um ato de dedicação o qual gerou um grande resultado.

Reconhecer a capacidade do outro de empreender resultados louváveis para alguns é um grande desafio. Há pessoas que natural e literalmente não conseguem emitir elogios ao êxito e às conquistas de terceiros, não vibram com resultados positivos alcançados pelas pessoas de seu convívio, achando que aquele que atingiu um objetivo, cumprira apenas com uma obrigação, com algo anteriormente negociado ou estabelecido.

Por outro lado, há aquelas que vibram, regozijam-se com o sucesso alheio e que reconhecem todo o esforço empreendido, todo o investimento pessoal ou profissional do outro para o alcance de um belo e positivo resultado. Nada como  tornar-se bem sucedido naquilo que se é, ou foi de forma competente, empreendido. E nada como se obter o reconhecimento e a recompensa sobre um grande feito.

O arcano menor “7 de Ouros” denota muito bem o estado de regozijo de alguém que alcança um objetivo, depois de ter empreendido algum esforço, e, também, o reconhecimento e a recompensa pelo o que foi realizado.

Pollack (1991) enfatiza sobre o “7 de Ouros”:

O Sete mostra os pentáculos como uma clara evolução a partir do esforço de uma pessoa. Trabalho significativo dá mais do que lucro material; a pessoa cresce também. O Sete mostra o momento em que se pode olhar para trás com a satisfação de ver algo realizado. Este ‘algo’ pode ser tão vasto quanto uma carreira, ou tão simples como um projeto imediato. […].

Interessante observar, pela simbólica retratada pelo “7 de Ouros”, que “nada surge do nada”, que sem uma ação dinâmica, recursos necessários, esforço e dedicação se é possível chegar a lugar algum.

Com este arcano menor é possível, sim, o alcance do sucesso, o atingimento do objetivo, a realização, mas, tudo isso irá requerer, em quaisquer situações, o mínimo de esforço a ser empreendido.

Banzhaf (2009), enfatiza nesse arcano menor o atributo da “paciência”, recurso este indispensável para quem deseja alcançar algum resultado positivo.

A idéia central, segundo este pensamento, é a de que o amadurecimento de um projeto, ou de alguma coisa qualquer, requer esforço e paciência no sentido de se colher os louros tão aguardados e consequentes do investimento árduo em uma obra. Vence-se os desafios com maestria e recebe-se a recompensa como uma espécie de prêmio que pode satisfazer um desejo, geralmente, material e impulsionado pelo ego humano.

Nesse sentido, o Tarô, Zen de Osho, pertencente a categoria dos tarôs surrealistas, destaca, também, em seu “7 de arco-íris” ou de “ouros”, os  fatores da “paciência” e da “espera” como elementos importantes aos processos de desenvolvimento e amuderecimento de algo ou alguém. A imagem feminina grávida representa simbólica e iconograficamente tais necessidades ou atributos como recursos, digamos assim, estratégicos para quem deseja uma evolução e a atingir sobretudo um grande resultado de desenvolvimento interior.

A paciência aqui surge como um recurso fundamental não para o alcance de objetivos ou satisfação dos desejos materiais, mas, sim, para objetivos de autoconhecimento, para aquele que deseja se dedicar ao mundo interior. Aqui, a pressa é realmente inimiga da perfeição e a impaciência a maior barreira para o alcance do sucesso.

Interessante frisar os aspectos contraditórios dos atributos arcânicos na visão, sobretudo, dos tarólogos modernos que fizerem seus nomes a partir de fins do séuclo XIX. Crowley, por exemplo, denominou esse arcano menor de “Fracasso”.

O que existe de atributos promissores para este arcano menor segundo a simbologia clássica, no Tarô de Thoth todos eles descem pelas terras alagadiças do mundo das sombras, denotando todo o tipo de restrição, obstáculos, medo  e má sorte que levam exclusivamente ao fracasso. “Tudo fruto da mente”, diria Aleister Crowley se estivesse entre nós.

Decerto que o “7 de Ouros” traz em seu bojo simbólico tradicional a recompensa consequente de todo e qualquer esforço, mas por outro lado este arcano menor pode também trazer à tona aquela sensação de que todo o esforço empreendido resultou tão somente em um pequeno ganho, não sendo este, portanto, o suficiente para uma satisfação completa, ou total, sempre tão  ansiosamente esperada por muitos.

Desse modo, o ser humano acaba, devido a algum tipo de expectativa neurótica e por um forte sentimento de insatisfação, sempre correndo em busca de grandes resultados no sentido de, no fim, obter a recompensa que tanto deseja.

Penso que a tal recompensa, em seu sentido ampo, após o ser humano ter empreendido algum esforço, lhe chegará, em qualquer tempo ou no tempo certo, como consequência de seus atos, tornando-se obviamente o resultado daquilo que vem fazendo conscientemente de positivo para si mesmo, para o outro e para o meio ambiente em que vive, no sentido de facilitar a sua jornada interior, agregando também algo de valor na jornada das pessoas que dele podem se aproximar.

Dessa forma, ao chegar a mais um fim das inúmeras etapas desse longo processo de evolução, o indivíduo já terá compreendido, através da maturidade tão bem denotada pelo arcano menor “7 de Ouros”, que todo o seu esforço com foco no alcance deste objetivo sempre valeu e valerá à pena do ponto de vista do conhecimento, aprendizado, experiências e sabedoria adquiridos, pois esses, sim, serão a sua colheita, o seu grande ganho, a sua real recompensa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BANZHAF, Hajo. Manual do Tarô: origem, definição e instruções para o uso do Tarô. 6. ed. São Paulo: Pensamento, 2009.

O ESPÍRITO do zen no Tarô de Osho: o jogo da vida. Tradução de Paulo Salles. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2004.

POLLACK, Rachel. Setenta e oito graus da sabedoria: um livro de Tarô, parte 2 – os arcanos menores e leituras. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

ZIEGLER, Gerd. Tarô espelho da alma: manual para o Tarô de Aleister Crowley. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 2004.

4 comments

  1. Arierom says:

    Ricardo,

    o contentamento com as conquistas e progresso do outro, é mais que uma virtude, um dom.

    Quando penso no 7 de Ouros, me vem a mente um trecho do velho testamento: Eclesiastes 3.1-22.

    Belíssimo artigo! Abraços do Ari.

  2. Ricardo Pereira says:

    Oi João!

    É isso mesmo! Penso que antes de nos preocuparmos com o reconhcimento alheio de nossos atos, precisamos nos focar em nosso aperfeiçoamento e em valorar os nossos atos cotidianos, de preferência sem ficarmos ansiosos com as prováveis recompensas.

    Abraço e grato pela força de sempre!

    Ricardo

  3. Adash says:

    Ricardo,

    Você como sempre excelente em tudo o que faz! Gosto muito do 7 de Ouros, mesmo usando o Crowley como meu Tarot base e tendo a conotação de Fracasso, confesso que aprendi muito com essa lâmina, muita coisa no meu dia-à-dia se alterou.

    Gostaria de pedir permissão para adicionar o link do teu blog no Tirania & Tolerância e também agradecer pelo apoio!

    Abraços,

    Adash

  4. Ricardo Pereira says:

    Oi Adash,

    Incrível como o Tarô tem muito a nos passar. Não importa a linha de abordagem que praticamos, ele sempre deixa a sua mensagem para a nossa evolução!

    Eu que lhe gradeço o carinho! Tens a minha autorização sim para adicionar o link que quiser de meu Blog para o seu. O mesmo farei aqui com o seu, ok?

    Tudo de bom!

    Abraços,

    Ricardo

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