Começar do Zero

Por Ricardo Pereira

Restou-lhe apenas juntar os destroços de toda uma vida, chegando a conlusão de que nada ficou de valor a não ser a lição aprendida, a experiência e o forte desejo de começar do zero.

Mas, que zero? O que pode o indivíduo efetivar, com foco na reconstituição de si mesmo, a partir da obtenção da resposta para essa tão ingrata pergunta? Será que investigar o  vazio interior que lhe sobrou e o exterior que lhe rodeia não lhe seria uma saída?

Tal processo de investigação pode ter como ponto de partida a busca de resposta para as seguintes ações ou perguntas, e nada como os providenciais arcanos maiores do Tarô para ajudá-lo(a) nesse momento:

1 – Observe o arcano maior “O Louco”, o que você vê em si mesmo?

“O Louco”
Wirth Moderno Tarô
Sergio Toppi  (1989)

2 – Olhe agora para o arcano maior “A Torre”, o que percebe ao seu redor?

“A Torre”
Old English Tarô
Maggie Kneen (1997)

3 – Direcione o seu olhar, agora, para o arcano maior “O Sol”, o que acredita que continua vivo dentro de você?

“O Sol”
Tarô de Marseille
Claude Burdel (1751)

4 – Mire os seus olhos, nesse momento para o arcano maior “O Mundo”, o que a vida lhe reserva?

“O Mundo”
Visconti-Sforza Tarô
Bonifacio Bembo (1420)

5 – Retorne a sua nova visão para o arcano maior “O Louco” e responda: de que Zero você quer começar?

“O Louco”
Nova Visão Tarô
Pietro Alligo (2003)

É isso, começar do zero requer profundos momentos “eremíticos” de reflexão, aonde, como diria Descartes, o status de determinadas crenças e valores deve ser abandonado a partir do momento em que for submetido ao julgamento da razão.

“Un Moment de Reflexion”
Delphin Enjolras (1857-1945)
In: Art Renewal Center

Nesse contexto, nem sempre as respostas nos vem de imediato, mas quando nos chegam, uma a uma, trazem consigo a clareza, não importa se essa é oriunda do passado ou do presente, o que interessa que ela dará forma ao novo,  guiando os próximos passos à construção de uma nova história, a qual deverá ser reescrita em uma folha de papel totalmente em branco …

Começar do zero ou recomeçar é uma arte, a qual faz emergir os potenciais criativos submersos nas águas viscosas do pântano das emoções perdidas.

Nesse sentido, quando alguém sobrevive à queda, quase que automaticamente lhe é despertada uma espécie de alerta a forçar-lhe a tomar alguma atitude que lhe garanta o retorno aos palcos da vida.

Assim, pode restar ao indivíduo tomar algumas atitudes, ou seja, ou ele se paraliza completamente e não faz nada; ou apenas se lamuria, reclama e continua, mais uma vez, a não mudar nada; ou a mais esperada de todas: faz alguma coisa de fato, marcando o seu reencontro consigo mesmo e com a força que lhe impulsiona, com o pé direito, a encontrar as saídas prováveis do desespero.

Nesse âmbito, destaca Gracián (2003): 

Ninguém nasce perfeito. Deve se aperfeiçoar dia a dia, tanto o pessoal quanto profissionalmente, até se realizar por completo, repleto de dotes e de qualidades. Será reconhecido pelo requintado gosto, inteligência aguda, intenção clara, discernimento maduro […]”.

De todo o modo, não encare o fracasso como algo determinante e nem lhe dê a importância que ele não tem. No fundo, o indivíduo não fracassa, ele apenas torna mais demorado o seu encontro com a maneira correta de chegar ao resultado que deseja.

Dessa forma, o erro é um dispositivo fundamental de alerta para que o indivíduo  não efetive determinada coisa que o impossibilite de atingir o resultado esperado, é o recurso do aprendizado e o começar do zero, o desafio!

Nesse sentido, é reconfortante admitir, no entanto, que o próximo passo pode surgir, por meio do aprendizado das muitas lições, da mudança de atitudes e da perseverança, coroado com os louros da vitória merecida.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GRACIÁN, Baltazar. A arte da prudência. São Paulo: Martin Claret, 2003.