O Tarô e a Adivinhação segundo P. R. S. Foli

Por Ricardo Pereira

Sir Cyril Arthur Pearson
(1866-1921)
In: http://en.wikipedia.org
A obra Fortune-Telling by Cards, ou Adivinhação pelas Cartas, do Professor P. R. S. Foli, pseudônimo do jornalista, editor, magnata e baronete britânico Sir Cyril Arthur Pearson (1866-1921), publicado na Inglaterra e nos Estados Unidos em 1915, traz vários métodos “antigos” de tiragens de Tarô, além de diversas abordagens sobre os significados dos arcanos maiores e menores, contemplando, ainda, alguns aspectos de seus atributos ao surgirem invertidos durante a adivinhação, assim como em combinações de pares, trios e quartetos arcânicos, dentre outros amplos e práticos aspectos que envolvem à pratica cartomântica.

Prestes a fazer cem anos de sua publicação e existência, tal obra, escrita em 111 páginas, pode ser considerada uma das significativas contribuições universais da literatura britânica do século XX à cartomancia, tanto do ponto de vista de sua história, quanto da sua construção teórica, e mais do que fundamental, à prática adivinhatória com o emprego de cartas de jogar ou de uso geral convencionais e, claro, com a utilização do Tarô.


O livro é composto de dezenove capítulos, sendo o penúltimo e o último dedicados a uma abordagem sobre a origem do Tarô, a dar umas pinceladas leves sobre a vida e a atuação, no âmbito da cartomancia, do renomado ocultista parisiense Jean-Baptiste Alliette (1738-1791), conhecido como Etteilla,  trazendo ainda algumas explanações sobre uns poucos métodos de tiragens adivinhatórias elaborados por esse cartomante francês.

Capa e Folha de Rosto do Livro. Edição de 1920[?]
In: http://www.sacred-texts.com

No capítulo dezenove Foli (1915) inicia a sua abordagem com uma pequena introdução ao Tarô, descrevendo alguns poucos detalhes sobre a sua estrutura, dividindo-o em dois grupos principais:


Grupo 1 – arcanos maiores, os quais são subdivididos em três subgrupos:
  • Subgrupo 1.1 – composto dos arcanos de 1  a 7: referente ao plano mental e intelectual do homem;
  • Subgrupo 1.2 – constituído dos arcanos de 8 a 14:  relativo à moral e às atitudes humanas em relação aos outros;
  • Subgrupo 1.3 – formado pelos arcanos de número 15 ao 22: faz ênfase aos aspectos materiais mundanos, ao cotidiano e aos diversos acontecimentos nesse plano; e
Grupo 2 – arcanos menores, os quais são divididos em dois subgrupos:
  • Subgrupo 2.1 – cartas numeradas de 1 (Às) a 10 distribuídos em quatro naipes: bastões, taças, espadas e pentáculos; e
  • Subgrupo  2.2 – cartas da corte: subdivididas em quatro grupos de quatro cartas dos naipes de bastões, taças, espadas e pentáculos constituídos de Rei, Rainha, Cavaleiro e Valete ou Pajem.
Em seguida, o autor destaca os significados amplos dos arcanos maiores em suas ordens sequenciais, mas sem numerá-los, por meio de atributos-chaves, conforme ilustrado a seguir:

Quanto aos arcanos menores, Foli (1915) efetiva atribuições simbólicas e estabelece planos de atuação para os quatro naipes do Tarô e,  também, uma simbólica às quatro figuras da corte, atribuindo-lhes correspondências, conforme destacados no quadro 2, abaixo:

Baseando-se na obra “The Tarot of the Bohemians: Absolute Key to Occult Science”, de Papus (1865-1916), Foli (1915) relacionou as cartas numeradas de 1 (Às) a 10 às figuras da corte e aos seus símbolos, conforme destacado no Quadro 3, a seguir:

Ao finalizar esse último capítulo de seu livro, o autor faz uma abordagem prática de sua visão técnica do Tarô, através da descrição de quatro métodos de tiragens adivinhatórias da autoria de Etteilla, dentre eles um que possui a finalidade de se verificar a possibilidade da realização de um desejo, intitulado de “The Fourth Deal”, traduzindo seria algo como “quarta tiragem”, ou “quarto método” ou “quarta mão”.

Atribui-lhe o título de “Desejo”. Tal método de tiragem consiste das seguintes regras, conforme explicitadas por Foli (1915), com algumas adaptações minhas em relação à disposição das cartas:

  1.  Esse método serve somente para se verificar a possibilidade de realização de um desejo;
  2. O consulente embaralha as cartas;
  3. O consulente retira do monte as sete primeiras cartas e as entrega ao cartomante ou tarólogo;
  4. O cartomante ou tarólogo dispõe as sete cartas na mesa da direita para a esquerda, em uma linha horizontal, e faz a leitura de acordo com os seus significados.

Essa obra de Professor P. R. S. Foli é intrigante devido a sua ampla e curiosa abordagem; envolvente por traduzir uma visão de uma época histórica na qual a cartomancia e o Tarô se veem cobertos por uma aura de teor ocultista; imparcial devido o seu caráter amplamente prático e por conta do significativo valor que autor atribui à cartomancia, às cartas do Tarô e aos métodos de cunho adivinhatório.

Vale salientar, que mesmo tendo sido publicado na primeira década do século XX passado, Fortune-Telling by Cards constitui-se, ainda, em algo valioso, moderno do ponto de vista de sua aplicabilidade, tanto na seara da cartomancia, quanto da taromancia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FOLI, P.R.S. Fortune-Telling by Cards. New York: R. P. Fenno & Company, 1915. Título traduzido: Adivinhação pelas cartas.

Licença Creative Commons
A obra O Tarô e a Adivinhação segundo P. R. S. Foli, de Ricardo Pereira, foi licenciada com uma Licença Creative Commons – Atribuição – Uso Não Comercial – Obras Derivadas Proibidas 3.0 Brasil.
Com base na obra disponível em www.substractumtarot.com.

2 comments

  1. Cris de Sales Lobato says:

    Adorei Ricardo, esta obra, que tão bem nos apresentas. O estilo dele parece bem didático, com as subdivisões dos arcanos, tornando mais facil ter uma visão geral desde sistema simbolico tão rico, que é o tarô.
    Gostaria muito de possuir a obra, pois além de tudo, tem mesmo aquele "quê" mágico e mistico. Ele já sabia das coisas, sem dúvida!
    Obrigada por nos trazer este presente!
    Beijão.

  2. Ricardo Pereira says:

    Oi Cris,

    Realmente, esse livro é muito interessante.

    Depois de tanto tempo (quase cem anos) que foi escrito, nos faz pensar sobre a cartamancia e a taromancia como algo de uma importância ímpar, principalmente porque Foli enfatiza e defende tal valor dessas práticas em cada abordagem que faz, nessa obra. Vale à pena ler!

    Bjo e grato pelos comentários!

    Ricardo

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