Bem-me-quer, malmequer e o método brasileiro

Por Ricardo Pereira
2 de Copas
Tarot Atalla, de Daniel Atalla
(2004)

Ah! O amor!” é um lindo e profundo poema do poeta gaúcho Mário Quintana. Nesse poema, o poeta dá algumas dicas bem pertinentes de como devem se comportar as pessoas nos diferentes momentos ou estados nos quais um ser humano possa estar inserido no âmbito dos relacionamentos afetivos, ou seja, quando uma pessoa está solteira, apenas paquerando alguém; quando uma pessoa está a fim e outra pessoa não; quando uma quer terminar a relação e não  sabe como; quando está namorando; quando está casada ou separada. As estrofes poderiam ser associadas à verdadeiras orientações ou conselhos, digamos assim, “oraculares”.

Em julho do ano passado, uma moça procurou-me para atendê-la pelo MSN. É, ela, uma pessoa bem simples, de muitos bons modos, muito bonita, por dentro e por fora, educadíssima, jovem e com uma formação superior exemplar e uma vida profissional bastante dinâmica e promissora. Ela tem doutorado em História da Arte, na Lancaster University, no Reino Unido da Grã-Bretanha e atua como relações públicas de uma grande empresa multinacional do ramo do entretenimento e da cultura.
Pigmaleão, as imagens e os desejos do coração
Edward Burne Jones (1878)
In Birminghan Museums and Art Gallery

Disse-me, no dia da consulta ao tarô, que não era feliz no amor, que assustava os homens! O seu último relacionamento foi no ano de 2006, com um jogador de futebol famoso do Estado de São Paulo. Afirmou, que tal relacionamento durou pouco mais de seis meses, tendo findado o romance por conta do seu ciúme. Como ele sempre estava rodeado de fãs do sexo feminino,  ela não conseguia administrar tal fato. No último dia que tiveram juntos, brigaram feio por causa da ciumeira e ele, como ela mesma disse, a “despachou” para nunca mais voltar. Assunto esse, segundo ela, à época da consulta, já plenamente encerrado:  decepções, mágoas e sentimentos já teriam sido superados; ela já estaria, portanto, em outra, permitindo-se a novo relacionamento, a viver um “amor de verdade”, segundo as suas próprias palavras.

Os Enamorados
Bosh Tarot, de A. A. Atanassov
(2004)

Nessa perspectiva, ela quis saber do tarô, – e não de mim -, evidentemente se havia alguma possibilidade do estabelecimento de uma relação afetiva entre ela e um rapaz que conhecera, naquele mês, em uma viagem a trabalho que fizera à Brasília.

Os dois estavam, na época que o conheceu, hospedados no mesmo hotel e participando de reuniões de trabalho, tratando dos mesmos assuntos e interesses. Ela, dos assuntos da empresa na qual trabalha e ele dos de um cliente que o contratou. Ele é advogado.

Ela detalhou todos os encontros, as conversas e as ideias que passavam por sua cabeça a cada momento, tanto quando o encontrava ou ficava só, sem tê-lo por perto como desejaria.

Admitiu que por ele se apaixonara, não revelando-lhe tal fato, mas, por outro lado, investiu firmemente nas insinuações e na paquera, demonstrando, sutilmente, o seu interesse, o quanto lhe tinha admirado. Ele, por outro lado, na percepção dela,  não esboçou nada que revalasse ou confirmasse algum tipo de interesse afetivo mais profundo, nem pelo desfrute dos prazeres de uma noite quente de “amor” em uma cidade de noites estupidamente frias.

Passaram dez dias juntos, de muitos encontros de trabalho, almoços e jantares, muitos deles com o grupo de colegas de outros estados, os quais tratavam do mesmo negócio. Tiveram oportunidades de vivenciarem uns três jantares a sós e nada mais além disso … Segundo ela, a única certeza que tinha era  que o grande amor de sua vida partira sem ao menos prometer um novo encontro, um ligação, um e-mail.

Ás de Copas
Morgan-Greer Tarot
de L. Morgan e B. Greer
(1979)

Foram cada um para os seus Estados. Ela resolvera, tamanha a sua ansiedade, que daquele dia em diante, faria vigília a sua caixa de e-mail, na esperança de algum contato do rapaz. Passaram-se alguns dias e ela recebe a sua primeira mensagem e desse momento em diante continuaram trocando e-mail, falando um com outro por skype, telefonemas. Ela feliz da vida, alimentava a cada dia o seu amor por Amaro. Sim, Amaro, é esse o nome do bom partido, que já estava grafado até em algumas jóias de minha consulente e, como não era pouco, até em algumas calcinhas e toalhas de rosto e de banho, segundo, claro, ela mesma me contou.

Ah! O amor! … Ele dizia pra ela, em suas muitas conversas, que sentia falta dos encontros que tiveram, que sentia falta dela, da sua alegria e do seu bom papo, mas nada que revelasse se estaria  a fim ou se desejaria um relacionamento. Ela desconfiada pensou: “… não pode! Não conheço um homem que por trás de uma pretensa amizade com uma mulher, não intencione possui-la, tê-la em seus braços, que não queira levá-la pra cama …”

Ela me disse que quase entrou em desespero, em “parafuso”, pois, a cada dia, estava mais apaixonada, mas sem recíprocidade, tudo muito unilateral, platônico e que todo esse clima de paquera, só da parte dela,  estava  deixando-a insegura, sem sentir perspectivas de futuro para essa relação. Perguntei-lhe: “será mesmo que com toda essa atenção que ele lhe dá, dizendo-lhe que sente falta dos papos que tiveram, não estará ele a fim de você?”

Contou-me que certo dia, comprou um livro de poemas do Mário Quintana, o qual não recordo-me o título agora (e nada sobre ele encontrei na Internet) e nele encontrou o poema “Ah! O amor”. Maravilhou-se com o dito poema, chamando-lhe muito a atenção a estrofe que segue:

[…] Para meus amigos que gostam de … paquerar:

Nunca diga “te amo” senão te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se
estes não existem. Nunca toque numa vida, se não pretende romper um
coração. Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-lo derramar em
lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é
permitir que alguém se apaixone por você, quando você não pretende fazer
o mesmo…[…].

A Lua
Cosmic Tarot, de N. Lösche
(1999)

Disse-me que leu e releu essa estrofe incontáveis vezes, por vários dias e noites, chegando à conclusão, como ela mesma me afirmara: “… pelo menos ele é decentemente honesto!…”

No dia da consulta, a fim de verificar nos arcanos do tarô as perspectivas dessa relação e de aliviar-lhe a ansiedade, escolhi um método de tiragem de minha autoria denominado de Bem-me-quer, malmequer, composto de quatro casas bem focadas no amplo aprofundamento nesse tipo de questão, a qual envolve as muitas possibilidades de ocorrências para qualquer modalidade de relações afetivas, tanto para pessoas solteiras ou para aquelas que já vivem algum tipo de envolvimento amoroso com alguém.

Nesse âmbito, utilizei-me também, da forma de disposição e de leitura oracular que denominei de Método Brasileiro, a qual se caracteriza pela leitura sendo efetivada em cada casa do seguinte modo:

  1. a partir de sua lateral direita, – lado da casa voltada para a mão direita do tarólogo, ocupada por um arcano maior em todas as casas de qualquer método de leitura a ser utilizado; 
  2. ao centro e ao lado das cartas das laterais direita e esquerda, sendo ocupada obrigatoriamente por um arcano menor em todas as casas de qualquer método de leitura a ser utilizado;
  3. à esquerda, – lado da casa voltada para a mão esquerda do tarólogo, ao lado do arcano menor no centro, ocupada ou por um arcano maior ou por um arcano menor, o qual é escolhido e posicionado, em cada uma das casas de qualquer método de leitura a ser utilizado, após ajuntada e embaralhamento das cartas restantes, arcanos maiores e menores do tarô todos juntos.

Essa técnica de leitura de tarô, que desenvolvi, possui seus fundamentos filosóficos e esotéricos, sobre os quais não me deterei, aqui nesse artigo, em abordá-los, assim como não demonstrarei os detalhes das regras para a sua aplicação. A única coisa que posso afirmar sobre a sua aplicabilidade é o fato de que, já há bastante tempo, venho utilizando-o com efetividade e precisão, obtendo feedbacks bem positivos por parte de meus clientes.

CASO ANALISADO TAROMANTICAMENTE COM O USO DOS MÉTODOS “BEM-ME-QUER, MALMEQUER E O MÉTODO BRASILEIRO”

A minha cliente efetivou essa consulta ao tarô em julho de 2010, elaborando a seguinte pergunta: “Amaro e eu vamos nos relacionar afetivamente até dezembro de 2010?

Casa 1“sentimento”
A Lua (à direita),
Rainha de Copas (no centro) e
4 de Copas (à esquerda)
Tarot Antigo da Lombardia, de
F. Gumppemberg
(Milano, Itália, 1810)

Na casa 1, do possível “sentimento” que Amaro nutria, à época, pela consulente, surgiu na lateral direita dessa casa o arcano maior A Lua, denotando que o rapaz estava apaixonado por ela, mas que buscava, confuso, não demonstrar ou esconder o sentimento, aspecto esse destacado pelo arcano menor da corte, localizado no centro da casa, Rainha de Copas, estando, inclusive, muito inseguro quanto aos sentimentos dela por ele, estando também preocupado com uma forma ou com um momento propício para empreender uma declaração de seus sentimentos, como denotado pelo arcano menor, 4 de Copas, situado na lateral esquerda dessa casa 1.

Casa 2 – “abertura
O Sol (à direita),
2 de Espadas (no centro),
O Pendurado (à esquerda)
Tarot Clássico, de Carlo Dellarocca
(Lombardia, Itália, 1835)

Na casa 2, da “abertura” ou possibilidade de Amaro se permitir a viver um relacionamento, surgiu na lateral direita o maior O Sol, afirmando, sim, que o rapaz estaria disposto a viver um relacionamento afetivo, mas, que havia, também, um bloqueio, denotado pelo arcano menor, no centro dessa casa, o 2 de Espadas, destacando também, esse arcano, que algo vinha lhe deixando indeciso, paralisado ao ponto de não se declarar ou de não expor, para ela, os seus sentimentos, como reconfirmado pelo maior O Pendurado, localizado na lateral esquerda da casa 2.

Casa 3 – “intenções”
Os Enamorados (à direita),
8 de Paus (no centro),
Rei de Copas (à esquerda)
Tarot 1JJ, de J. G. Rauch e
J. M. Jüngere
(1831)

Na casa 3, das “intenções” de Amaro em relação à consulente, obtivemos, na lateral direita dessa casa 3, o maior Os Enamorados, enfatizando o interesse dele por ela e também a dúvida do rapaz em como seguir em frente nessa relação, mas, por outro lado, o tarô destacara que, em um momento oportuno e não tão distante, 8 de Paus, situado no centro da casa, esse homem a procuraria e lhe declararia, conforme pressagiado pelo Rei de Copas, na lateral esquerda da casa 3, os seus sentimentos, confirmando-lhe que, dela, estaria a fim, que tinha a intenção de estabelecer com a minha consulente uma relação mais séria, compromissada.

Casa 4 – “futuro
A Imperatriz (à direita),
9 de Copas (no centro),
10 de Ouros (à esquerda)
Tarot d’Epinal, de J-C Pellerin
(1830)

Na casa 4, do “futuro” da relação ou do que a consulente poderia esperar do rapaz ou da situação que os envolvia, na lateral direita dessa casa 4 surgiu o maior A Imperatriz, denotando que no decorrer do tempo esperado e depois de tudo ter sido colocado às claras entre eles, eles estabeleceriam um namoro e, possivelmente, um compromisso mais sério: um noivado, destacado pelo 9 de Copas situado no centro dessa casa e que não demoraria muito e eles se casariam, constituindo, assim, uma família, como foi prognosticado pelo 10 de Ouros na lateral esquerda dessa casa 4.

Realmente, segundo minha consulente, os dois passaram por algumas indefinições após a sua consulta ao tarô, mas em novembro de 2010, tudo começou  a se transformar, ficando, ele, mais à vontade em relação a ela, revelando-lhe, inclusive, os vários prognósticos do tarô os quais aqui já destaquei para vocês, meus queridos leitores.

Em um encontro que tiveram no Rio de Janeiro, nesse mesmo mês, eles sairam pra jantar e pra dançar e pela primeira vez se beijaram. Após mais alguns encontros, estabeleceram em dezembro de 2010 um noivado e em junho deste ano de 2011 se casaram e, hoje, vivem muito felizes, tudo conforme pressagiado pelo tarô.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

QUINTANA, Mário. Ah! O Amor! In: http://www.youtube.com/watch?v=yYkV-1pER1g&feature=related , 27 ago. 2011.

Licença Creative Commons
A obra Bem-me-quer, malmequer e o método brasileiro de Ricardo Pereira foi licenciada com uma Licença Creative Commons – Atribuição – Uso Não Comercial – Obras Derivadas Proibidas 3.0 Brasil. Com base na obra disponível em www.substractumtarot.com

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