Encontrando objetos com o Sibilla Della Zingara

Por Ricardo Pereira
Iniciei os meus estudos no oráculo Sibilla Della Zingara, ou “Oráculo da Cigana”, baralho publicado em 2007, pela editora italiana Lo Scarabeo, sediada em Torino, Itália, nos idiomas italiano, espanhol, francês, inglês e alemão.

Sibilla Della Zingara sobre mesa de consulta
Imagem de Ricardo Pereira ®, 08.01.2012
Junto ao baralho encontramos um “livreto” com 31 (trinta e uma) páginas, nos idiomas citados, trazendo uma curta abordagem sobre aspectos referentes ao mundo cigano e às ciganas, em especial, enquanto perfeitos exemplos de antigas profetisas, citando inclusive a importância, nesse grupo, de Mademoiselle Lenormand, a “grande conselheira” do Imperador Napoleão.
Tal livreto não traz sequer alguma menção sobre os significados das cartas, fato esse que não deixa o baralho menos simpático ou intrigante.

Aliás, o baralho, deixa-nos com aquela sensação de que, na vida, há muitas coisas que não devem nos ser entregues, assim, de mão beijada. De que temos que correr atrás, buscar, pesquisar, estudar, a fim de que se possa colocar em prática com efetiva segurança, pois tal atitude nos valerá muito à pena.

Exatamente hoje fez  um mês que o meu baralho chegou, encantando-me, sobremaneira, a um ponto de eu andar com ele “pra cima e pra baixo”, tendo, inclusive, adquirido outro baralho para, tão somente, compor a minha coleção de baralhos oraculares.

Do ponto de vista artístico e iconográfico, o baralho composto de  52 (cinquenta e duas) cartas é de uma beleza ímpar, bem característico dos oráculos tipo “vera sibilla” italianos.

A data de sua origem, assim como o seu autor são incertos, como não poderia deixar de ser, embora encontremos inferências de que pode ter surgido em qualquer dia ou qualquer hora do século XIX na Itália. O que se sabe sobre esse baralho atualmente é que a editora Lo Scarabeo é a detentora dos direitos sobre sua autoria.

Na maioria das cartas ou em todas elas observam-se motivos, indumentárias, vestuários, mobílias, objetos e cenários pitorescos pertencentes à vida cotidiana, social e ao imaginário artístico dos séculos XVII, podendo se identificar alguns detalhes artísticos e simbólicos do século XVIII na Europa moderna, assim como uns poucos elementos de símbolos da Renascença e da Antiguidade clássica.

Ênfase nas cartas “Espera”, “Amor” e “Casamento”
Observem os detalhes de vestuários, arquitetura, obras de arte
Imagem de Ricardo Pereira ®, 08.01.2012

Mais detalhes sobre a confecção, iconografias e simbologias do baralho e outro pormenores desenvolverei em outros artigos. Nesse momento, vamos ao que interessa, a objetividade do Sibilla Della Zingara.

No dia 02 de janeiro de 2012, passado, retornei ao trabalho, depois de gozar 10 (dez) dias de férias denominadas legalmente de “férias coletivas”.

Na manhã cedinho dessa data passei por um dilema: o desaparecimento de meu crachá funcional, o qual me dá acesso a vários locais da instituição na qual trabalho.

Antes de sair para o trabalho o procurei em minha casa sem sucesso. Chegando em meu local de labuta, sondei em armários, mesa de escritório e gavetas, pois inferi a hipótese de tê-lo esquecido por lá antes de tirar as minhas férias. E, também, nada de encontrá-lo!

De tão aborrecido que fiquei com essa situação, ao meio dia retornei para almoçar em casa, coisa que raramente faço, para procurá-lo naqueles locais que geralmente guardo pequenos objetos que utilizo no dia-a-dia e, novamente, sem sucesso!

Nessa mesmo dia, a minha secretária foi até o meu apartamento fazer a limpeza e organizá-lo. Nesse interim, pedi pra ela pra me ajudar a procurar o crachá e, novamente, não o encontramos. Reviramos tudo, inclusive as roupas dentro dos armários, mais uma vez sem sucesso.

Sibilla Della Zingara sobre mesa de consulta, 2
Ao fundo, Barbie observa, estupefacta, a beleza das cartas
Imagem de Ricardo Pereira ®, 08.01.2012

À noite, por volta das 20 horas, desse mesmo dia, quando retornei pra casa resolvi fazer uma consulta ao Sibilla Della Zingara com o intuito de ter uma luz de onde eu poderia tê-lo deixado.

Nós tarólogos ou cartomantes acreditamos piamente que os nossos baralhos de tarô, cartas ciganas, sibillas etc podem nos ajudar e também auxiliar os nossos consulentes a encontrar objetos perdidos, assim como pessoas ou animais desaparecidos.

Eu, em particular, tenho fé inabalável nessa possibilidade, tendo encontrado, com a ajuda do meu tarô, por exemplo, objetos e animais de amigos e conhecidos que desapareceram, outrora, com auxílio de métodos de tiragens que elaborei exatamente com esse objetivo.

No caso do meu objeto recentemente perdido, elaborei uma pergunta simples ao Sibilla Della Zingara: “aonde está o meu crachá?”

O oráculo me respondeu de uma forma tão direta, deixando-me todo “arrepiado”, tamanha a sua objetividade.

Embaralhei as cartas e resolvi que não utilizaria método de tiragem, e que, com apenas duas cartas eu teria a resposta precisa que necessitava. Foi assim que me surgiu a dupla de cartas “Sala” e “Alegria”, conforme figura abaixo.

Sala e Alegria, cartas do baralho Sibilla Della Zingara
By Lo Scarabeo, 2007
In: http://www.albideuter.de

Observe que na iconografia e simbólica das duas cartas temos similaridades. Temos dois tipos de salas, uma de estar e outra de jantar com os seus objetos peculiares, em suas belezas e funcionalidades, do ponto de vista da decoração de ambientes domésticos, ou dos lares mais simples ou até os mais requintados.

A riqueza de detalhes dessas duas cartas e as suas similaridades simbólicas são bem destacadas. A primeira carta (Sala) apresenta um espaço de recepção, interação ou de solidão. Na segunda (Alegria) temos a representatividade das relações interpessoais, da alegria da comemoração, dos festejos de quem interage em dadas ocasiões em um espaço de recepção, de reunião.

Sala,  baralho Sibilla Della Zingara
By Lo Scarabeo, 2007
In: http://www.albideuter.d
Esses ambientes refletem uma necessidade de um local apropriado para se estar junto, em família, com amigos ou com simples e esperádicos visitantes e, em dados momentos, sozinho.

Os detalhes em cada objeto, em cada coisa, as cores, os brilhos chamam evidentemente a nossa atenção. É maravilhoso, em seus aspectos iconográficos e artísticos, esse Sibilla Della Zingara!

Após a consulta ao Sibilla fui até a minha sala de estar, a qual é conjugada à sala de jantar, imaginando o local no qual poderia estar o objeto perdido: ou naquele lugar no qual não haviamos procurado direito ou noutro que não tinhamos, sequer, verificado.

Depois de alguns minutos, procurando novamente o objeto nas duas salas, encontrei o crachá em minha sala de jantar dentro de um “porta-trecos” decorativo, no qual deposito carteira, chave de carro, celular, correspondências etc que, por ventura, estava sobre o aparador.

Vale salientar, que fuçamos esse porta-trecos umas duas ou três vezes nesse dia, pela parte da manhã e da tarde, em busca do objeto perdido, sem, realmente, notarmos algum tipo de sinal dele.

Alegria,  baralho Sibilla Della Zingara
By Lo Scarabeo, 2007
In: http://www.albideuter.de
Desse modo, intrigado e focado nas indicações do Sibilla Della Zingara, procurei novamente o objeto perdido em vários lugares: atrás do aparador, entre frestas do sofá e de cadeiras, por baixo de estátua e abajur, dentro de bomboniere, por trás de cortinas, sob tolhas de mesas etc,  tudo em vão. Peguei outra vez o dito porta-trecos que estava sobre o aparador e fui retirando dele, um a um, todos os objetos que nele estavam. De repente, surgem-me dois envelopes bastante aderidos um ao outro, demandando-me certo esforço para descolá-los; quando puxei os dois envelopes para afastar um do outro,  o crachá escorregou em direção à mesa.

Nesse âmbito, já meio contrariado com a minha falta de atenção ao procurar algo, observei que o crachá esteve o tempo todo dentro do porta-trecos (preso entre dois envelopes), sobre o aparador e do lado de uma estátua, os quais disponho em minha sala de jantar.

Detalhe do aparador
na carta “Sala” do
Sibilla Della Zingara
Note que na carta “Sala” há um aparador/console bem ao fundo da imagem, com uma estátua em cima, como na imagem à esquerda.

Claro, que quando tirei do baralho a carta “Sala” já fiquei com a “pulga” atrás da orelha e depois que tirei a carta “Alegria” vi a ênfase do oráculo a fim de me confirmar, sem deixar dúvidas, com muita precisão a sua resposta de que somente numa sala, em algum lugar específico dela, estaria o crachá. Fenomenal!

Fiquei mais feliz pelo Sibilla Della Zingara ter me indicado o local certo no qual estava o crachá, do que propriamente tê-lo encontrado. Essa foi uma experiência com esse oráculo que ficará em meu rol de importantes memórias cartomânticas, a qual deverei expor aos meus alunos e clientes sempre que tiver oportunidades.

Tal episódio, fez-me chegar à conclusão que a indicação das cartas “Sala” e “Alegria”, por meio do uso do Sibilla Della Zingara, foi efetivamente precisa, demonstrando que oráculo é eficaz em sua função de direcionador eficiente, de seus consulentes, àquelas problemáticas que necessitam de soluções ou orientações exatas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GYPSY oracle cards. Italy, Torino: Lo Scarabeo, 2007.